21 de jul de 2012

Conto: Lucun a la pistache


Ouvi este conto de uma professora/oficineira durante um curso de capacitação para educadores da Rede Municipal de Montes Claros. Me encantei por ele, e mais ou menos decorado, passei a  contar pros amigos.
Pesquisando pela net encontrei ele no site da Profª Rita Alonso, um site legal demais, cheinho de textos, que a gente lê, lê, lê e não tem vontade de parar.
Mas vamos ao conto: LUCUN A LA PISTACHE – sem preguiças hein? 


                     Lucun A La Pistache

Na antiga Pérsia vivia um poderoso Rei, e seu reino era rico e cheio de palácios, jardins maravilhosos com riachos muito belos. O Rei era uma pessoa muito justa e magnânima, e era aconselhado pelo seu Grão Vizir, seu braço direito. O Grão Vizir era seu homem de alta confiança, e o Rei não tomava nenhuma decisão antes de pedir um parecer ao seu fiel Grão Vizir.
O Grão Vizir era muito invejado, e todos os outro ministros do reino viviam cobiçando seu lugar, fazendo intrigas, boatos e calúnias, mas nada abalava aquela relação.
Certo dia, o Vizir foi até as termas públicas, e enquanto se banhava percebeu que havia perdido seu anel, porém também percebeu que seu anel pesado, de ouro e pedras, boiava na sua frente. Ficou em silêncio, meditativo, e depois de um tempo, resolveu chamar seu fiel serviçal:
_ “Caro Omar, reúne todos os meu pertences do palácio, pegue minha mulher e filha e leve-as ao próximo povoado, aonde temos parentes, para que possam ficar por lá, e que aguardem minhas notícias”.
Dias depois, antes da partida, o próprio Vizir disse a sua esposa que teriam que viver a dor da separação, mas ela, como boa mulher de seu tempo, não fez maiores perguntas.
Sete dias se passaram sem que nada acontecesse. Mas no sétimo dia, o rei, esbaforido, entrou no gabinete do Vizir e foi logo esbravejando:
_ “Seu traidor ! Logo você, que sempre teve minha confiança! Não precisa dizer nada, você terá o seu castigo !”
O Vizir foi levado aos porões do palácio, jogado numa cela fria e úmida. Os dias foram se passando, os meses, os anos….
Vocês pensam que o que mais martirizava o Vizir era a ingratidão do rei, ou falta de sua esposa ? Tudo isso era muito triste, pesado, mas o que o Vizir sentia mais falta era de Lucun a la Pistache.
Esse é um doce esverdeado, feito com a semente de pistache, e recoberto com o mais fino açúcar encontrado no oriente, além de outros truques no preparo.
Todos os dias, meses a fio, o homem pedia ao seu carcereiro, sádico e intransigente, um pedacinho do doce, mas nada. Para completar seu sofrimento, as paredes úmidas, recobertas com musgos e lodo verde, o faziam lembrar-se do doce.
Até que um dia, não se sabe porque motivo, o carcereiro ficou bem humorado e generoso, e resolveu lhe dar um pedaço de Lucun.
Os olhos do Vizir ficaram cheios d’água, brilhando como espelho de tão cobiçado doce. Ele então pegou um pedaço de lenço que guardava para ocasiões especiais, colocou-o no meio da cela com o doce. Decidiu esperar a ração horrorosa que todo dia comia, para depois degustar o doce. Aquele néctar merecia ser esperado.
Quando então, se preparava para comer o doce, após a ração, de um pequeno buraco da parede da cela surgiu uma gigantesca ratazana, que assustada correu em linha reta, colocando uma pata exatamente em cima do maravilhoso doce. Assustada, querendo sair, atolou a outra pata, e presa, acabou com as quatro patas em cima do doce. Morrendo de medo, sob o olhar do Vizir, pensando-se numa armadilha, urinou em cima do doce.
O Vizir ficou um bom tempo calado, paralisado, pensativo. Por fim pediu que chamassem Omar, seu fiel empregado.
_ “Omar, por favor, providencie que minha mulher e meus filhos retornem do reino vizinho, prepare minha casa e peça a eles que aguardem minhas notícias”.
O empregado obedeceu, e passados sete dias na cela, a porta se abriu, com um rosto perturbado que encheu o ambiente. Era o rei, que se pôs humildemente de joelhos:
_ “Meu querido Vizir, como fui injusto ! Como pude desconsiderar tantos anos de lealdade, e acreditar naquela corja de invejosos e ciumentos. Tudo não passou de uma conspiração, e todos foram já punidos. Peço-lhe perdão, e peço-lhe que imediatamente volte às suas funções palacianas. Por favor!”
O Vizir, que era muito paciente, e gostava do Rei, após refletir um pouco, aceitou o pedido. Houve uma grande festa para comemorar o evento, e oVizir fez questão de celebrar, colocando numa enorme mesa, de 5 metros por 3 de largura, diversos tipos de Lucun a la Pistache.
No meio da festa, um grande amigo do Vizir, de muitos anos, chamou-o num canto:
_“Mas meu amigo Vizir, uma coisa me intriga: quando você caiu em desgraça, parecia tê-la previsto, tomando providências para resguardar sua família, e quando foi cair em graça novamente, agiu como se soubesse disso!”
Ele olhou para o amigo e disse:
_ “Eu tinha uma vida invejável, usufruía o bom e do melhor, era rico e famoso. Quando fui às termas, numa tarde, e o maior símbolo de minha riqueza, aquele pesado anel, não se perdeu naquele mundo de águas e ainda permaneceu boiando na minha frente, eu pensei”:
“Não é possível, cheguei ao topo, daqui não posso subir mais, e pressenti algo”
_ “Por outro lado, naquela cela, privado de tudo, quando meu maior desejo ia ser concretizado e aconteceu aquele desastre, com a ratazana estragando tudo, pensei que dali não poderia descer mais, nada ficaria pior. Não tive dúvida que algo mudaria em minha vida para melhor”.
Assim, por saber interpretar e Ter sensibilidade para sentir o que a vida lhe trazia, o Vizir soube se antecipar e preparar para os acontecimentos.
                              Conto do Folclore Árabe traduzido por Gislaine Mattos.

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_Cristina_